• Ines Rioto

Programa Requalificar as moradias de idosos de baixa renda -Portugal.


Maria Luisa Trindade Bestetti é arquiteta formada pela UFRGS em 1982, com mestrado e doutorado pela FAU USP (2002 e 2006), além de MBA em Gestão de Projetos pela FGV (2008). É professora doutora no Curso de Gerontologia da Universidade de São Paulo desde 2009, com disciplinas de Gestão de Projetos e Empreendedorismo na graduação e Habitação e Cidade para o Envelhecimento Digno no mestrado.

Requalificar as moradias de idosos de baixa renda poderia diminuir a procura pela assistência em saúde?

Muitas notícias sobre o excesso de pessoas nos hospitais públicos e centros de saúde denunciam que há problemas contextuais a serem estudados. A crise pela qual o país passa trouxe um contingente enorme de desempregados, gerando perdas no poder de compra das famílias e a consequente necessidade de economizar. Cortar gastos supérfluos geralmente não resolve situações com perspectivas cada vez piores, afetando os investimentos em educação e saúde, nesse caso, tornando a alimentação e a higiene mais precárias. Mas há ainda outro fator que impulsiona as pessoas a buscarem ajuda: a autoestima impactada pela sensação de fracasso, especialmente quando há esse processo de queda na condição sócio econômica.

Nossa casa é nosso abrigo, o lugar da intimidade e da história composta pelo grupo familiar. Se não houver condição financeira para mantê-la funcionando, a estrutura vai aos poucos depreciando a ponto de ficar desgastada e sem atender às necessidades básicas dos moradores. E quando o morador tem limitações sensoriais ou de mobilidade, especialmente na velhice? Todos os fatores afetam a saúde criando doenças, que poderiam ser evitadas com um investimento na qualidade de vida dessas pessoas.

Em Lisboa, Portugal, há 24 anos foi criada a empresa GEBALIS – Gestão do Arrendamento da Habitação Municipal​ de Lisboa, dedicada a promoção do desenvolvimento local e regional, que tem como objeto a promoção e gestão de imóveis de habitação social. Promete assegurar uma política de gestão integrada, que visa a administração dos bairros, a qualidade de vida das populações residentes e a conservação do património. Entre seus projetos destaca-se o LIFE, a partir da seleção de imóveis onde residam pessoas com mobilidade reduzida, dentro do conjunto destinado à habitação social,eliminando as barreiras físicas que constituem obstáculo à mobilidade e promovendo as condições de conforto e segurança dessas pessoas

http://www.gebalis.pt/Instituicoes/ProjetosGEBALIS/Paginas/Projeto-Life.aspx.

Este projeto, criado em 2010, visa reabilitar habitações de uso universal, ou seja, projetadas para a utilização do maior número de utentes possível. Para isso tem em conta os níveis de acessibilidade, assegurando que os utentes de mobilidade condicionada, mesmo com limitações profundas, podem viver na habitação com razoável conforto e autossuficiência, pela introdução de automatismos com recursos à novas tecnologias bem como há inexistência de barreiras arquitetônicas.

Há desde a troca de revestimentos até a instalação de sistemas de remoção que possam oferecer autonomia, especialmente focando no mobiliário para que seja adequado ao uso. Pessoas idosas muitas vezes desistem de cuidar da própria casa e, a seguir, até de si mesmos. Iniciativas como essa certamente concederiam mais saúde em todos os seus aspectos e poderiam diminuir a procura pela assistência médica, promovendo a melhoria da qualidade de vida e a condição de vida do idoso brasileiro.

https://sermodular.com.br/2019/10/11/requalificar-as-moradias-de-idosos-de-baixa-renda-poderia-diminuir-a-procura-pela-assistencia-em-saude/


Plenitude Ativa/Inês Rioto

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São Paulo/Brasil

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