Asilos da cidade de SP registram 190 mortes de idosos por Covid-19

 

 

Levantamento do Ministério Público revela o quíntuplo de óbitos em relação ao notificado; casos somam 855

 

Eliane Trindade - São Paulo

 

Mapeamento do Ministério Público em 449 Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) no município de São Paulo revelou 190 óbitos e 755 casos de Covid-19 do início da pandemia, em fevereiro, até 12 de junho.

 

Ao todo, essas instituições abrigam 10.476 pessoas com mais de 60 anos, grupo mais vulnerável ao vírus. O levantamento, inédito, abrange casas de repouso e asilos públicos, filantrópicos e privados da capital que responderam a questionário enviado para as 650 entidades cadastradas.

Cláudia Beré, promotora de Justiça de Direitos Humanos, disse que ainda serão levantar dados de outras 201 entidades. Ela é responsável pelo acompanhamento dos idosos em ILPIs, um dos grupos mais vulneráveis ao novo coronavírus, em um procedimento aberto em 13 de março pelo Ministério Público estadual.

 

Desde então, Beré e outra promotora se dividem na fiscalização das instituições da capital, todas contatadas para notificar os casos de Covid-19 ao Ministério Público.

Nas diligências, a Promotoria do Idoso constatou dados incompletos e indícios de subnotificação, ante a escalada da pandemia na Grande São Paulo —o estado beira 100 mil casos. “Quando recebemos o primeiro relatório havia o registro de apenas 40 óbitos”, diz a promotora.

O mapeamento completo depende do trabalho de uma força-tarefa mobilizada para fechar nos próximos dias os dados dos 650 serviços para idosos cadastrados na capital.

 

O Ministério Público não divulga os nomes das instituições já mapeadas. Segundo a procuradora, há casos nos três tipos de instituições, inclusive surtos.

Quando há registro de caso suspeito ou confirmado de Covid-19 em uma unidade, o protocolo é acionar os órgãos de saúde e Vigilância Sanitária.

A Promotoria do Idoso tem conversado com as secretarias de Saúde, Assistência Social e Direitos Humanos desde o começo da pandemia e acompanhado os protocolos.

A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social registrou 144 casos confirmados e 35 óbitos por Covid-19, até o dia 12 de junho, entre as 14 instituições da capital com que que mantém convênio.

 

São dados que se referem à situação em serviços que oferecem 480 vagas para acolhimento de idosos em unidades mantidas pela prefeitura e administradas por ONGs.

Desde 14 de janeiro, todas as ILPIs conveniadas contam com enfermeiro e técnico de enfermagem presentes.

“Para dar atenção especial a essa população, contamos com profissionais de saúde nas unidade e saímos na frente na prevenção, suspendendo visitas e atividades coletivas”, diz Berenice Giannella, secretária municipal de Assistência Social.

Até 30 de maio, 95% dos idosos residentes e colaboradores dessas unidades foram submetidos a testes sorológicos para Covid-19. Funcionários com resultado positivo foram afastados, e os idosos, encaminhados para o Hospital de Campanha do Anhembi.

 

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde, por meio da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), afirma que inspeciona, orienta, monitora e avalia os riscos relacionados a Covid-19 nas Instituições de Longa Permanência.

“Diante dos casos e do alto risco de quadros graves e óbitos em ILPIs, a Covisa implementou também protocolos de notificações dos surtos de Síndrome Gripal”, diz a nota.

 

Norma técnica de maio recomenda higienização constante, manter janelas abertas e remanejar as camas para que haja um metro de distância entre os conviventes em todas as unidades municipais de acolhimento.

“As unidades da prefeitura têm mais estrutura, e parte das filantrópicas têm mantenedores fortes”, afirma Amanda Costa, fundadora do Instituto Sempre Movimento, que promove ações de saúde e bem estar na periferia. “As que mais nos preocupam são as instituições privadas de pequeno porte nas periferias.”

 

Há dois meses, o instituto fez uma desinfecção no asilo público Iva Felipe, na zona leste de São Paulo. “A situação estava crítica e já haviam sido registrados três óbitos em decorrência da Covid-19”, relata Amanda, professora de educação física, especialista em fisiologia, que fundou a ONG.

O instituto contratou firma especializada, e os idosos foram retirados no dia do procedimento. Segundo Amanda, não houve novos casos.

A Folha procurou a unidade e não obteve informação sobre a situação atual.

 

Pelo programa Envelhecer Saudável e Lave Suas Mãos, a ONG visitou 43 instituições, que abrigam 1.874 idosos e têm 1.010 funcionários.

Destes idosos, 358 estavam em unidades categorizadas pelo instituto com bandeiras vermelhas, e outros 646 em instituições com bandeira amarela, com registro de casos confirmados e suspeitos de Covid-19, conforme levantamento no início de maio.

 

Amanda alerta, porém, que não há testes nem notificação obrigatória de casos nas unidades filantrópicas e particulares pequenas. “É preciso testar em massa e apoiar estas instituições”, defende.

O Instituto Sempre Movimento também distribui insumos como máscaras e produtos de higiene nas ILPIs.

Uma das entidades apoiadas é a Arte Viver a Vida, em São Miguel Paulista, onde não foi registrado caso de Covid-19 entre os 14 residentes por ora.

 

Já na unidade do Itaim Paulista houve um óbito entre os 18 idosos, disse a enfermeira Carmem Maria Portillo, 54, mulher do proprietário.

Outro caso positivo foi de um residente com câncer, que está internado. Segundo Carmem, muitos dos internos são pacientes com mal de Alzheimer e sequelas de AVC. Alguns têm família, que pagam a mensalidade de R$ 1.200. Todos fizeram o teste para Covid, diz.

 

Com as medidas de prevenção adotadas, como a suspensão de visitas, não puderam celebrar o aniversário de dona Luiza, 102, que forma o trio de centenárias da instituição. “São as nossas princesas, mas esse ano não teve bolinho.”

Camem relata que o apoio que chega é de igrejas, e os insumos, do Instituto Sempre em Movimento. “A ajuda da prefeitura é para instituições com mais de 30 idosos.”

 

Sócio da Casa de Repouso Brilho Celeste, com 37 internos em Parelheiros, zona sul, Felipe Bispo dos Santos também recebeu EPIs e álcool em gel do Sempre Movimento.

“Não temos nenhum caso de Covid-19 até agora. Deus está protegendo”, afirma.

Os dois quartos do sítio separados para isolamento ainda não foram usados. Mas nenhum idoso nem os 15 funcionários fez o teste. A casa foi vistoriada pela Vigilância Sanitária em 30 de abril.

 

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/06/asilos-da-cidade-de-sp-registram-190-mortes-de-idosos-por-covid-19.shtml?

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